“A palavra do candidato sobre sua cor será o único critério das universidades federais para definir os alunos que serão beneficiados por cotas. O MEC não quer criar comissões para confirmar a informação, como já é feito na UnB” – Folha de S. Paulo 16/10/12
Quando atualmente um estudante utiliza a cor de sua pele, como diferenciador positivo, para ser admitido na Universidade, nem imagina que no final do século XIX e inicio do século XX, se desejasse exercer um cargo público ou até mesmo tornar-se um eclesiástico, precisaria fazer exatamente o oposto e assinar um documento renunciando à sua etnia.
Naquela época as políticas governamentais procuravam embranquecer a população brasileira e esses cargos eram exclusivos dos que eram ou se consideravam brancos.
Tomei conhecimento dessa aberração quando li há seis anos “Um defeito de cor” de Ana Maria Gonçalves. O livro é uma grande aula sobre a escravidão no Brasil e nem as mais de novecentas páginas me assustaram.
Fazia pouco tempo que me mudara para Salvador e ficava encantada ao reconhecer os lugares que eram citados pela autora. Sempre que podia procurava compartilhar a leitura com amigos e conhecidos, afinal a maior parte da história se passava nessa cidade e no Recôncavo Baiano.
Recentemente conheci as cidades históricas de Minas Gerais e lembrei-me de “Um defeito de cor”. As igrejas visitadas, os altares revestidos com o ouro extraído das minas da região, as esculturas feitas por Aleijadinho, os canais construídos nas serras para levar água até aos povoados, tudo bradava o trabalho realizado com o sangue e o sofrimento dos negros escravizados.
Ana Maria Gonçalves fez uma minuciosa pesquisa e escreveu um belíssimo romance histórico. Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de ler, recomendo. Trata-se de uma leitura imperdível.
Um defeito de cor
Ana Maria Gonçalves
Editora Record
R$ 82,90

“DEFEITO DE COR”, deveria ser leitura obrigatoria, em todas áreas da Universidade e Faculdades, magnífico na escrita, na linguagem e, na época como Ana Maria retorna, buscando nossas origens.Que riqueza de personalidade das personagens abordadas, que riqueza pelo amor à sua terra.Podemos ver e sentir a s guerras e perseguições deles e para eles, aí é que entendemos os motivos delas.Visualizei bem o bairro da Vitória, a Igreja de Santo Antonio da Barra , O Pelourinho.
Complemente com a História vERíDICA, sim “DA CASAA D”ÁGUA”Escrito muito bem pelo nosso saudoso Antonio Olinto. Que maravilha.Quando se é ufanista só se tem a crescer, só com o seu orgulho brilhante.
Suzana, concordo totalmente com seu comentário. “Um defeito de cor” deveria ser leitura obrigatória nas universidades e especialmente para os baianos.
Vou comprá-lo! Minha tese do doutorado é sobre política de cotas raciais no curso de Medicina aqui na UFAL… será uma leitura essencial!! Beijo!
Tenho certeza que “Um defeito de cor” será uma leitura não só instrutiva mas também prazerosa.Beijo!