Tenho em mãos um livro encantador: “As origens de Portugal – História contada a uma criança” de Rómulo Carvalho.
Editado pela Fundação Calouste Gulbenkein, reproduz, página por página, o livro escrito por um jovem professor, para ensinar a seu filho de sete anos as origens e o nascimento de Portugal.
O livro é muito bonito, com capa dura e sobrecapa. As páginas têm o tamanho um pouquinho maior que uma folha A4, e são a cópia fiel das originais que receberam o texto batido à máquina e os desenhos feitos a lápis de cor, e no maior capricho, pelo autor.
Os acontecimentos históricos são transmitidos de forma prazerosa e acrescidos de informações complementares que procuram aguçar a curiosidade de uma criança.
Fica-se sabendo que com a chegada dos mouros à Península Ibérica, os ancestrais dos portugueses e espanhóis aprenderam a fazer papel com as sementes da flor do linho; Que um rei muçulmano chegou a ter uma biblioteca com quatrocentos mil livros, todos escritos à mão! Que foram eles, também, que inventaram os números como os conhecemos hoje.
Mas a brincadeira não é esquecida e, depois de explicar o que é um castelo e como funciona de maneira diferente em tempos de paz e de guerra, o autor desenha um, em planta baixa, para ser recortado, colado e montado pelo filho.
O livro “As origens de Portugal” é informativo e amoroso. Ao mesmo tempo em que na função de professor transmite conhecimento, como pai, o autor não esquece de passar valores éticos:
“Ora, como te disse, o nosso Afonso tinha feito as pazes com o rei de Leão, Afonso 7º. Apesar disso, como já estava livre dos mouros, resolveu-se ir outra vez combater os galegos. Deves concordar que isto não é nada bonito. Quando se está em guerra e se pede a paz não se deve ir outra vez, atacar o inimigo desprevenido. Mas que queres? Foi assim que se passou e é assim que te conto.”
Apesar de ter sido escrito em 1940 o livro mantem um frescor todo especial. Recordei muita coisa e aprendi outras tantas, e quando terminei a leitura perguntei a mim mesma: Por que não foi assim que a História de Portugal me foi ensinada?
A mesma pergunta me faço sempre, desde que fui professora do ensino fundamental: por que as histórias são sempre vistas de apenas um ângulo, a do livro didático? Boa dica. Um escritor e historiador brasileiro também deveria ter essa sacada e escrever outra versão para o nascimento do Brasil! Beijo, querida!
Gostei da sua ideia! Tomara que algum historiador brasileiro leia o seu comentário.