O Brasil será, mais uma vez, o convidado de honra da Feira do Livro de Frankfurt a ser realizada entre os dias 9 e 13 de outubro deste ano. O lema escolhido foi “Brasil, um país cheio de vozes e de permanente recriação cultural”
Setenta autores representarão o país. Na categoria infanto-juvenil os selecionados foram: Ana Maria Machado, Angela-Lago, Daniel Munduruku, Eva Furnari, Fernando Vilela, Marina Colasanti, Mauricio de Sousa, Pedro Bandeira, Roger Mello, Ruth Rocha e Ziraldo.
Aproveitando a proximidade das comemorações pelo Dia do Índio (19 de abril) procurei conhecer melhor a obra de Daniel Munduruku.
Confesso que não conhecia o maravilhoso trabalho deste escritor indígena, nascido em Belém do Pará, que já tem mais de 40 livros publicados, é graduado em Filosofia, licenciado em História e Psicologia, possuidor de mestrado em Antropologia Social e doutorado em Educação pela USP.
Seus livros já ganharam vários prêmios no Brasil e no exterior:
- Crônicas de S.Paulo: Um olhar indígena (Editora Callis) – Prêmio FNLIJ 2005 – categoria jovem
- O segredo da chuva (Editora Ática) – Prêmio FNLIJ 2004 – Categoria infantil
- Coisas de índio: versão infantil (Editora Callis) – Prêmio Jabuti 2004 – categoria paradidático
- Meu vô Apolinário: um mergulho no rio da (minha) memória (Editora Studio Nobel) – Menção Honrosa do Prêmio de Literatura para crianças e jovens, na questão Tolerância, concedida pela UNESCO 2004
Munduruku, quer dizer formigas guerreiras, e é o nome de um dos povos indígenas que vivem no interior da Amazônia, ao qual Daniel pertence.
Foram os anciães da tribo, considerados autênticas “bibliotecas vivas”, que ensinaram Daniel a contar histórias. Para os povos indígenas a natureza é o Grande Livro, a professora que não deixa as crianças esquecerem a magia interna que cada uma possui, e a importância de manter um constante diálogo com os espíritos da floresta. O autor acredita que sem a transmissão dessas histórias, contadas de geração em geração, o coração enfraquece e fica doente.
Em entrevista concedida ao jornalista e antropólogo Spensy Pimentel, Daniel Munduruku expressa preocupação com a construção da barragem hidrelétrica, no rio Tapajós, que, forçosamente, expulsará seu povo assim que as terras forem inundadas.
Comenta também sobre a nova consciência que surge entre os jovens indígenas, interessados em utilizar as ferramentas modernas para divulga os costumes que aprenderam e receberam dos ancestrais. Com essa atitude pretendem continuar a valorizar e honrar seus antepassados, e participar de forma mais ativa na construção de uma sociedade igualitária e respeitadora das diferenças étnico-sociais. Tarefa que Daniel Munduruku vem fazendo com brilhantismo há muito tempo.
O último livro que publicou foi Um dia na aldeia da editora Melhoramentos, indicado para crianças maiores de 6 anos.
