Caso prefira uma leitura fácil e descompromissada desaconselho a leitura de “Três Mulheres Fortes”. Este é um daqueles livros que merecem ser apreciados com certo vagar.
A autora, Marie NDiaye, começou a escrever muito cedo, com 12 anos, e desde então não parou mais. Seus livros já receberam diversos prêmios, sendo o último, em 2009, o mais importante e prestigiado da literatura francesa – o Prêmio Goncourt .
A autora fala do que conhece bem. Assim como a personagem de uma das histórias, ela também é filha de mãe francesa e pai senegalês. Os desencontros culturais retratados nas duas primeiras narrativas não lhe são estranhos, e certamente escutou mais de uma vez, o relato que conta por último.
A prosa de Marie NDiaye tem força. Ela mergulha no íntimo dos personagens e revela de forma magistral o que eles têm de mais mesquinho e frágil.
Os parágrafos podem, inicialmente, parecer um tanto ou quanto cansativos, mas é graças a essa descrição minuciosa que as angústias e sonhos dos protagonistas passam a pertencer ao leitor.
Três mulheres vivendo situações limite transitam entre o Senegal e a França. Em mundos onde os homens ainda são algozes; uma sociedade destruidora de sonhos, mas incapaz de aniquilar a chama interior que cada uma carrega dentro de si. Submissas por falta de opção aos respectivos destinos, mas nunca derrotadas.
- Três Mulheres fortes
Marie NDiaye
Editora Cosac Naify
R$ 55,00