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O homem que sabia a hora de morrer

O-homem-que-sabia-a-hora-de-morrerLi em algum lugar uma crítica elogiosa ao livro “O homem que sabia a hora de morrer”. Não conhecia a autora, Adelice Souza, o que não é de se estranhar, porque por ser baiana e não fazer parte do ‘sudeste maravilha’, o seu trabalho ainda não foi descoberto no restante do país. No entanto, isso não irá demorar muito, pois foi com este mesmo livro que a escritora concorreu ao prêmio Jabuti de 2013 na categoria juvenil*.

O titulo me fisgou desde o início. Quanto à capa fiz algumas restrições. Achei-a escura, sombria, e quando terminei de ler o livro achei que não combinava com o seu interior. Afinal, as histórias narradas eram luminosas e repletas de poesia: “Olhava a avó com os ossos cansados, e a fadiga era boa: veio do uso pensei. Usou os ossos, requebrou o esqueleto, rebolou as ancas, foi feliz a avó, houve dança”.

Apesar da autora se deter um pouco mais  no avô Lau – aquele que sempre soube quando ia morrer – fala também, com muito carinho, dos outros avós. As recordações são singelas, mas fortes. Pessoas simples tornam-se gigantes ao serem retratadas pelo seu olhar amoroso. Lugares despretensiosos e acolhedores são apresentados e me deixaram com uma vontade grande de os conhecer.

Neste livro juvenil, a autora fala de coisas antigas, de uma tradição que vai se perdendo a cada dia: “não se deve escrever nada em tronco de árvore, nem mesmo o nome do enamorado dentro de um coração. A árvore chora seiva, sente dor e o amor não vinga“. Mas Adelice fala principalmente dos afetos generosos entre gerações, atuais e eternos, e que darão bons frutos enquanto forem relembrados e vividos com saudade.

* O prêmio acabou sendo ganho por outro escritor baiano, Aldri Anunciação, com o livro NAMÍBIA, NÃO!

4 comentários

  1. Se um título como esse não assustou os juvenis, até que a turminha está bem evoluída. Os trechos citados, também, me parecem bem maduros pra serem degustados por adolescentes. Ou será que esse é um daqueles livros destinado aos jovens e mais lidos por adultos? Lembram do Pequeno Príncipe? Pois é, os avós gostam dele bem mais do que os netos….. Em tempo, o livro tá nas livrarias de salvador?

    1. Você tem razão João. Apesar do livro se enquadrar como juvenil acredito que agradará mais aqueles que já criaram as próprias memórias afetivas. Comprei o meu exemplar em uma livraria de shopping.

  2. Querida Paula, que saudade desse canto de boas dicas!
    Conheci essa autora em uma palestra sobre a carreira de escritor e a achei luminosa!
    Nunca li um livro dela, mas anotei o nome para não esquecer.
    Mais um para a minha lista! Obrigada!
    Aproveito para recomendar outra escritora baiana: Állex Leilla (acho que é assim que escreve o nome). Ela também ganhou prêmios literários e acabou de lançar mais um livro: “Chuva Secreta”. Acabei de ler e recomendo!!!
    Beijos.

    1. Suas indicações são sempre bem vindas. Também não conheço essa escritora. O maior problema que os autores iniciantes enfrentam é a divulgação do seu trabalho e depois a distribuição dos livros. Beijo

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