Não é fácil escrever um post sobre um livro todas as semanas. Algumas vezes a leitura se estende por mais de sete dias e outras vezes não gostamos do que acabamos de ler. Nesse último caso o que fazer?
Sei que toda verdade é multi-facetada, mas até hoje me surpreendo quando encontro gostos e opiniões radicalmente diferentes e antagônicos.
Mil vezes pergunto: Como é possível alguém ter coragem de vender estes sapatos pavorosos ou como é possível alguém se encantar por este livro chato até dizer chega?
Pois é, leituras decepcionantes acontecem de vez em quando.
Recentemente segui entusiasmada a indicação de uma colunista que escreve para um dos jornais mais prestigiados do país. Seus elogios ao livro não poderiam ser melhores:
“Passadas as primeiras páginas, fui me surpreendendo até que, ao ler a última página, conclui que o livro é um dos melhores lançados este ano.(…) Delicado, intenso, verdadeiro, o livro é de uma beleza impressionante.”
O livro em questão não era muito grande, apenas 142 páginas. Infelizmente só consegui chegar à metade.
Quando o pus de lado, reprovei -me severamente considerando-me uma troglodita insensível e obtusa. Mas a verdade é que, enquanto lia o romance, tinha a impressão de escutar um adulto tentando se passar por uma criança e isso me incomodou bastante. Pareceu falso. Em minha defesa, mentalmente argumentava que a racionalização verbal de uma menina de seis anos não poderia ser tão sofisticada quanto o texto dava a perceber.
Não direi mais nada. Afinal, quem sou eu para detonar o trabalho de alguém? Todo o texto reflete um trabalho árduo mental; um burilamento feito por horas a fio e, acima de tudo, uma coragem de se expor ao julgamento alheio. Por tudo isso a obra e seu autor merecem meu respeito, mas não o pouco tempo que dedico à leitura.

Como sempre adoro ler os seus comentarios. Nao pare!
E eu adoro ler seus comentários 🙂 Não pare! Beijo minha irmã querida.
Penso que você deveria escrever também sobre os livros que não gostou. Primeiro porque pode ajudar-nos a evitar, segundo porque podemos discutir a respeito, parte mais interessante e divertida da literatura. 🙂 Mas gostei muito do seu comentário e fiquei me perguntando que livro seria esse. Beijos!
http://www.rascunhoscriticos.wordpress.com
Se fosse um escritor estrangeiro com toda a certeza detonaria o livro. Mas é tão difícil para um autor nacional ser publicado, que prefiro seguir aquele conselho antigo “se não pode dizer nada gentil é melhor ficar calada”.
Para aguçar sua curiosidade, o escritor é homem, psicanalista e o livro saiu pela editora Rocco.
Beijos
Eu passei por isso com o livro Leite Derramado do Chico Buarque. Adoro o Chico, mas não consegui passar da metade do livro. Não me identifiquei com as personagens e nem com a narrativa. Fazer o que acontece….Bjs!
Olá Juliane,
Também não sou fã de Chico Buarque como escritor. Mas como compositor depois de Tom Jobim, para mim, ele é o nº1!
Obrigada pelo seu comentário 🙂
Beijo