O bom de ser escritor é que se pode inventar qualquer história. Quer seja a mais bela e fantasia ou o pior dos pesadelos.
Pois é desse segundo tipo a narrativa de Miguel Sanches Neto em A Segunda Pátria.
Imagine o leitor se, em troca de apoio científico, industrial e econômico, o presidente Getúlio Vargas tivesse feito um pacto com Hitler e concordasse com a implantação de um posto avançado germânico no sul do Brasil.
Ali, a língua oficial seria a dos colonos alemães e nas escolas os alunos aprenderiam a ideologia nazista. Os judeus seriam deportados para a Alemanha, negros e mestiços confinados em galpões, forçados a trabalhar como escravos, e as mulheres tratadas como meras reprodutoras da raça ariana.
Por mais esquizofrênico que esse cenário possa parecer, convém lembrar que no final da década de trinta o maior aliado comercial do Brasil era o governo nazista, e, como demonstração de boa vontade, o governo brasileiro criou um sem número de dificuldades para impedir a entrada de judeus no país.
Gostei muito de A Segunda Pátria e de seu final surpreendente.
Quando terminei a leitura fiquei imaginando o que poderia ter acontecido se a Alemanha tivesse ganhado a guerra. Até onde teriam chegado os tentáculos de sua ideologia belicosa e eugênica? Balancei com força a cabeça para expulsar esse pensamento. Mas uma frase dita por um dos personagens principais permaneceu:
Mãos acostumadas às armas dificilmente amam virar páginas.
- A Segunda Pátria
Miguel Sanches Neto
Editora Intrínseca
R$ 34,90
E-Book R$ 14,90
