A internet tem dessas coisas. Ela aproxima pessoas que não se conhecem, mas que possuem afinidades entre si.
A escritora Bia Onofre acompanha a Fagulha de Ideias pelo Facebook e gentilmente perguntou se eu gostaria de ler seu livro Restos de Nós. Confesso que fiquei lisonjeada com o pedido e apesar de estar às voltas com uma pilha de livros que não para de crescer, concordei em fazê-lo. Duas semanas depois recebi pelo correio um exemplar e logo de cara gostei da capa. Na primeira página a autora escrevera uma gentil dedicatória.
A história é narrada como se fosse um diário, na verdade dois. Através deles tomamos conhecimento das vidas de duas mulheres que viveram no Rio de Janeiro em épocas diferentes.
O relato de Maria Clara transcorre em 1855 numa fazenda bem afastada dos folguedos da corte. A jovem se distrai caminhando pelas redondezas, procurando preencher o vazio de um casamento arranjado e sem amor.
150 anos depois, o casarão onde viveu encontra-se abandonado e as terras da fazenda fazem parte do valorizado bairro da Gávea. Agora é a vez de Mariana refazer os mesmos caminhos percorridos por Maria Clara.
O que essas mulheres de temperamentos e realidades tão diferentes têm em comum? Ambas estão presas a amarras sociais que as impedem de serem felizes.
Nos passeios feitos pela fazenda/bairro refletem sobre suas vidas, e, depois, colocam no papel todas as angústias e questionamentos que as afligem.
A leitura de Restos de Nós acompanha o desabrochar emocional de Maria Clara e Mariana. O leitor é cúmplice de esse sofrido desatar das amarras. É possível sentir a tensão crescer à medida que os acontecimentos se sucedem. Confesso que num misto de curiosidade e aflição fiz algo que não fazia há muito tempo: Pulei algumas páginas para saber o que iria acontecer com Maria Clara.
A prosa de Bia Onofre é precisa e segura. Gostei de conhecer o trabalho desta escritora, que, com certeza, merece ser apreciada pelo público leitor. Afinal, qualidades literárias não lhe faltam.
- Restos de Nós
Bia Onofre
Editora Chiado do Brasil
R$ 30,00
E a pilha só faz crescer… Adorei o enredo! 🙂
O próximo post vai falar sobre os livros que ganhei de aniversário. 🙂 Foram sete no total. Eles vão se juntar à pilha interminável!
A Fagulha traz uma novidade em homenagem aos 450 anos do Rio, especial para os moradores da Gávea como eu !!
E como mudou nestes 450 anos!!!
Parabéns pela dicas de leitura e pela descoberta de mais um bom texto. Muitas vezes livros interessantes nos chegam por acaso. Isso já aconteceu comigo, também.
Fiquei curiosa… qual foi o livro que lhe chegou por acaso? 🙂
Oi pessoal, só descobri a resenha agora e ADOREI. Obrigada pelo carinho e pela força. apenas um detalhe importante, a protagonista de 1855 chama-se MARIA Clara e não ANA Clara… Beijos!
Linda resenha! Obrigada pelo apoio e carinho…
É sempre muito gratificante poder divulgar um bonito trabalho. 🙂