Tardes de autógrafos são excelentes ocasiões para rever amigos, conhecer pessoas e, na medida do possível, conversar sobre livros.
Em meados de junho lancei O Menino Enrolado na Livraria Argumento do Leblon, onde trabalhei como vendedora antes de vir morar em Salvador.
As redes sociais me ajudaram a rever amigos que não via há bastante tempo. Entre um autógrafo e outro, consegui matar as saudades das colegas do Colégio Teresiano e saber um pouquinho do que fizeram nas ultimas décadas. (Tanto tempo assim? A alegria que senti ao vê-las lembrou-me dos nossos reencontros após as férias escolares.)
Foi assim que soube que Ana Cristina Leonardos havia publicado três livros: dois de poesia (“Porto Breve” e “Tempo Outro”) e outro com as memórias afetivas das viagens feitas ao Líbano (“Longe”).
Conheci também Gabriela Leão, uma jovem escritora que, vencendo a timidez, gentilmente me ofereceu o seu primeiro romance policial, A mulher no lago.
De volta a Salvador e ainda no avião, surpreendi-me com a prosa instigante da autora. Não o larguei até terminar a trama muito bem urdida por Gabriela.
Sorrio ao lembrar o timing perfeito: mal o tinha terminado de ler recebi pelo correio um envelope pesado contendo os três livros de Ana Cristina.
Recordei as nossas conversas animadas durante o recreio, e tive a certeza que os livros refletiriam o temperamento reflexivo e o apreço pelo Conhecimento de minha amiga.
Gostei muito de sua poesia, especialmente aquela encontrada em o “Tempo Outro”, e que se intercala com o trabalho fotográfico de outra amiga querida, a juíza Vera Lage.
Em seu livro “Longe – memórias de um Líbano recente”, Ana Cristina relata a saga da família do marido forçada a se espalhar pelo mundo para fugir dos conflitos de uma guerra civil. Estas lembranças remeteram às minhas, e de quando por razões bem menos traumáticas, mas mesmo assim dolorosas, meus pais se mudaram para o Brasil com as filhas. Assim como o marido e as cunhadas da autora, também procurei me integrar ao cotidiano do novo país, sem, no entanto, esquecer as raízes culturais que forjaram a minha identidade e caráter. Acredito ter encontrado o equilíbrio.
A Mulher no Lago, Porto Breve, Tempo Outro, Longe… Para mim, os livros são como pontes. Ajudam a recuperar antigas amizades e auxiliam no surgimento de outras, como não amá-los?
Querida Paula, como você escreve bem! É sempre uma delícia ler suas crônicas e livros.
Tive um evento naquele domingo e não pude comparecer, sei que outros virão,
beijos,
Luciana
Senti sua falta Luciana, mas com certeza oportunidades não hão de faltar para nos revermos, nem que seja para experimentar uma das novas delícias da Sept au Jour.
Beijos