Fiquei mais de um mês sem postar, mas isso não significa que pus os livros de lado. Acontece que as ultimas leituras foram pouco prazerosas – apesar de terem recebido ótimas críticas – e, por essa razão, não me apeteceu comentá-las.
A primeira decepção foi com A Gorda, da escritora Isabela Figueiredo. Interessei-me pelo livro porque, como disse em um post anterior, gostei muito do outro livro da escritora, Caderno de memórias coloniais.
Decidida a não me deixar abater e interessada em conhecer outros autores lusófonos, iniciei a leitura de Esse cabelo – a tragicomédia de um cabelo crespo que cruza fronteira, da angolana, Djaimilia Pereira de Almeida. A escritora havia sido um dos destaques da FLIP no ano passado.
A trama não poderia ser mais atual e interessante, já que aborda temas como racismo, padrões de beleza feminino, identidade social, etc. Mas de novo, a leitura não fluiu. Li uma frase, reli, e nada do texto me cativar. Dei-me por vencida e pus o livro de lado.
Lembrei que fizera o mesmo quando tentei ler O Apanhador no Campo de Centeio na adolescência. Acho que os problemas próprios da idade eram mais do que suficientes para me fazer debruçar com paciência sobre a rabugice depressiva de outro jovem.
Felizmente, no início deste ano, resolvi dar uma nova chance a Holden Caulfield, e constatei que meu olhar havia mudado. Com satisfação, mergulhei com empatia nos questionamentos do atormentado personagem.
Por essa razão, decidi fazer o mesmo com Esse cabelo… Quem sabe se o deixar hibernando por algum tempo na estante eu possa apreciá-lo melhor?
Por último, gostaria de fazer uma ressalva muito importante para quem ainda não leu ou gostaria de reler “O Apanhador no Campo de Centeio”.
Como é possível que a editora, detentora por anos a fio dos direitos da obra no Brasil, não tenha se dado ao trabalho de corrigir erros ortográficos, nem de melhorar o projeto gráfico do livro? Nele, não consta uma linha sequer sobre o autor, nem uma pequenina resenha da história. Ainda por cima cobram o exorbitante preço de R$ 75,00.
Lamentei ter lido o livro antes do lançamento da caprichada edição feita em junho pela editora Todavia. A tradução foi atualizada, a ilustração da capa é a original americana e o preço está bem mais em conta: R$ 59,90. Essa nova versão de O Apanhador no Campo de Centeio vale a pena guardar ou oferecer de presente.
A Todavia tem estado de parabéns.
Cada edição mais agradável do que a outra.
Abraços,
P.
A escolha das obras da Todavia é excelente e o cuidado com o livro-produto um primor.
Também já tive experiências como esta sua: os livros tem seu próprio tempo, depende de nosso próprio tempo. E há livros não rolam…
O pior é que, por vezes, mesmo não gostando é difícil largar.
Aprendi com o tempo a largar o que não estava gostando… Antes parecia uma tarefa ter que ler até o fim. Depois fui me conhecendo melhor e sabendo o que não iria “vingar”.
Estou lendo um livro q todos falam bem, q é o melhor da autora (não duvido), mas eu estou tendo muita dificuldade. Parei um pouco e fui p outro livro, de outro autor.
Estou tendo dificuldade pq vejo q há muitas metáforas. Parece mais um livro de filosofia entre 2 pessoas do que um romance. Rsrs
Agora fiquei curiosa. Qual é o livro que está difícil de ir até o fim? 🙂