Não me perguntem como cheguei à escritora portuguesa, Maria Judite de Carvalho.
A internet tem dessas coisas. Pesquisa-se por um nome que nos remete a outro e a outro mais, e assim encontramos preciosidades.
Pois bem, Maria Judite de Carvalho é considerada uma das mais importantes escritoras da literatura portuguesa do século XX, sendo autora de contos, novelas, crônicas, uma peça de teatro e um livro de poesias. Nessa busca aleatória, descobri o livro infantil “Felizmente as árvores são grandes” publicado em 2021 pela editora Minotauro* para comemorar o centenário de nascimento da escritora.
O livro de capa dura, lindamente ilustrado por Cátia Vidinhas, custou a pechincha de R$5,00 (pouco menos de um euro). Senti-me envergonhada em usar os serviços de uma multinacional que tritura os preços praticados pelas livrarias, mas foi o jeito que encontrei para diminuir o meu sentimento de culpa por comprar mais um livro quando tenho ainda tantos por ler.
De nada adiantou sentir-me culpada, muito pelo contrário. Encantada com a descoberta, pedi à minha irmã que mora em Portugal, que me envie, assim que for possível, “Tanta gente, Mariana” escrito pela mesma autora.
Por enquanto, deixo dois pequenos presentes que pincei do primeiro livro mencionado:
A rosa
Os espinhos são as unhas da rosa,
as garras com que se defende
de quem vai agarrá-la
para a cortar
e pô-la numa jarra na sala
até murchar.
Sabes lá, menina
Sabes lá, menina,
como cheira bem
o prato de sopa
que fez tua mãe.
Sabes lá, menina,
como é bom o calor
que dá, no inverno,
o teu cobertor.
Sabes lá as coisas
que tens e não vês,
as roupas que vestes,
os livros que lês.
Sabes lá, menina,
de tantos meninos
sem roupa nem sopa,
sem livros, nem lar,
nesta sociedade
que tem de mudar.
*pertencente ao Grupo Almedina
Paula, foi com grande alegria que reencontrei o fagulhadeideias e por consequência você!!!
Nos conhecemos na Galeria dos Livros, onde você me apresentou a escritores maravilhosos e se constituiu minha consultora de leitura. Construimos um laço de amizade. Claro que é improvavel que lembre de mim, sou Anna Leal.
Mas você foi muito importante para minha formação como leitora! Lhe quero bem….
Anna, claro que me lembro de você! Nossa amizade foi reciproca e muito rica. Em 2017 voltei a morar no Rio. Que bom que nos encontramos aqui. Beijo
Que bom voltar a ler um post da Fagulha de Ideias.!
Andei meio sumida, não foi? Obrigada pelo carinho.
Fagulha de volta! Que bom! Lindo texto, obrigada. Fagulha chegou pra mim pra lembrar que hoje dia 16 tem um lançamento imperdível Cabe mais um? na Livraria Pequeno Benjamim.
A tarde de autógrafos foi um sucesso! Só faltou você minha amiga.
Paula,
Adorei os pinçamentos que você com sua sensibilidade escolheu do livro da sua conterrânea Maria Judite de Carvalho.
Adoro flores, mas prefiro-as plantadas na terra.
E os exemplos do Sabes lá menina, usei muito para o meu menino.
Bjs e obrigada por compartilhar,
Luciana
Fiquei tão encantada com o livro-tesouro que encontrei que quis mais compartilhar com todo mundo! Beijo Luciana.
Olá Paula! Cheguei no seu blog por acaso, ao procurar a resenha do Diário de Danny. Que legal é seu blog! Um dos meus hobbies preferidos é a leitura, e que inveja de saber que vc já trabalhou em um livraria (é meu sonho rsrsrs). Não tenho hábito de ler poemas, mas adorei o “A Rosa”, lembra nossa infância não é?
Estive em Portugal o ano passado, gostei tanto que estarei passeando lá de novo, daqui a alguns dias. Sua terra é muito bonita. Cada pequena cidade é um encanto de se conhecer…
Abraço, Luiz
Olá Luiz, quero me desculpar por ter demorado tanto a responder ao seu gentil comentário. Na minha adolescência também li o Diário Danny e o Diário de Ana Maria. A leitura desses livros significava que estávamos entrando no mundo dos crescidos. Eles foram bastante importantes para mim. Abraço, e aproveite Portugal.