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12 meses de Vamos Ler!

Nem a mudança da Ana Cristina para os EUA, nem a da Regina para os Emirados Árabes, alterou a rotina mensal dos encontros virtuais do grupo Vamos Ler Juntas, renomeado simplesmente de Vamos Ler!

Vale ressaltar que a atual diferença de fuso horário para a Regina é de sete horas, a mais. Portanto, quando nos reunimos para comentar sobre a leitura escolhida, e pôr as novidades em dia, já é noite avançada para a nossa amiga.

Quanto ao critério da seleção literária, ele permaneceu o mesmo. Continuamos lendo autores de países lusófonos. Num mês tanto pode ser um português quanto um angolano, moçambicano etc. No mês seguinte, obrigatoriamente, escolhemos um escritor brasileiro.

Foi com Karen, vencedor do prêmio Oceanos 2017, que iniciamos o ano. Confesso que não achei muita graça no livro, e fiquei ressabiada quanto à escolha dos ganhadores do prêmio Oceanos. Ano passado o grupo decidiu largar a leitura de O plantador de abóboras, vencedor de 2021, porque a leitura não engrenou. Sim, também fazemos isso. Abandonamos um livro pela metade.

Em Fevereiro foi a vez de A palavra que resta do escritor cearense Stênio Gardel. Esse agradou em cheio.


O dia em que te esqueci, da Margarida Rebelo Pinto, foi a escolha de março. Não desgostamos, o texto tinha frases de efeito, mas o tema pegou-nos numa fase da vida em que não temos mais paciência para amores indefinidos, ou mal resolvidos: se não sabe o que quer, ponha-se a andar.

No final desse encontro, ao escolhermos as próximas leituras, Celina perguntou porque ainda não havíamos lido nada das escritoras do grupo. Sim, porque a Ana Cristina publicou dois livros de poesia, e um outro com as memórias da família libanesa do marido, forçada a abandonar o país natal por conta da guerra. E, por sua vez, a Regina escreveu as suas impressões sobre a China, país onde morou por doze anos, além de outro livro a respeito do sobrinho portador de TEA (Transtorno do Espectro Autista).

Por essa razão em abril começamos a ler Longe – memórias de um Líbano recente. Emendamos com O som do rugido da onça da Micheliny Verunschk (uma leitura que deu boas discussões) e terminamos o mês de maio com MAX – autismo em episódios: notas de uma vida ao pé da letra, escrito pela Regina.

Aqui faço um aparte: nada melhor do que conhecer as escritoras para falarmos diretamente com elas sobre seus livros. As conversas tornam-se muito mais ricas quando recheadas de outras histórias, que não entraram nos textos principais.

Em junho o livro escolhido foi Desamparo da Inês Pedrosa. Uma escritora do outro lado do oceano, que fez muito sucesso no Brasil, mas que ultimamente anda sumida.

A leitura de Contos de amor rasgados passou na frente de outros títulos que estavam programados. A escritora Marina Colasanti acabara de receber o Prêmio Machado de Assis, conferido pela Academia Brasileira de Letras, e precisávamos conhecer melhor a sua obra. Fiquei fascinada com a contundência dos seus mini contos.

Agosto trouxe-nos Último olhar do escritor português Miguel Sousa Tavares. Agora que tudo se acalmou, foi possível relembrar o medo generalizado, sentido por toda a humanidade, por conta da pandemia causada pelo vírus da Covid-19, e de como os idosos, ao serem negligenciados, se tornaram as primeiras vítimas.

Nenhuma de nós conhecia a escrita da Conceição Evaristo, e quando isso aconteceu com Olhos D’ Água, uau, que experiência! Na FLIP do ano passado, ela foi uma das convidadas das casas paralelas, e as pessoas ficaram horas debaixo de um sol inclemente só para ouvir as suas palestras disputadíssimas. De brincadeira, chegaram a compará-la à Taylor Swift.

Tive dúvida se recomendava Um cão no meio do caminho da Isabela Figueiredo. Eu li os seus outros livros publicados no Brasil, gostei muito de um, mas nada do outro. Precisava desempatar esse dilema. Felizmente foi um gol que agradou em cheio.


Terminamos novembro com Se Deus me chamar não vou da escritora Mariana Salomão. Costuma-se dar muita atenção aos primeiros parágrafos de um livro porque eles precisam fisgar o leitor. Curiosamente, este livro tem uma peculiaridade diferente. O final é dos mais bonitos e originais que li ultimamente. Perfeito para encerrar um ano de excelentes e variadas leituras.

Em dezembro não houve leitura. O mês é por demais agitado para que o grupo encontrasse tempo para se reunir. Mas janeiro chegou e escolhemos O Retorno da Dulce Maria Cardoso.

Estou ansiosa para saber qual será a opinião do Vamos Ler!. Reli o livro e continuo achando que se trata de uma leitura indispensável para compreender o pós-Revolução dos Cravos. Tomara que renda boas conversas porque ele é um dos meus favoritos.

2 comentários

  1. Temos aprendido tanto mas tanto no Vamos Ler, um grupo de leituras sem fronteiras que ampliou nossos horizontes visitando tantas terras tão diferentes onde também se fala a nossa língua!

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