Curti o carnaval em Itaipava na casa de uma amiga querida. A programação foi bem tranquila: caminhar de manhã pelo condomínio, refrescar dentro da piscina na companhia de coronitas geladas, cochilar depois do almoço – período que eu aproveitei para ler, e no final da tarde participar de um campeonato de biriba entre amigos. Talvez tenham sido as cervejas ou a falta das sonecas da tarde, o fato é que nos dois dias de campeonato perdi em todas as cinco mesas nas quais joguei. Tive apenas, como prêmio de consolação, a vitória na última e derradeira rodada. Não preciso dizer que deixei de ter parceiro para jogos futuros.
Levei, como leitura de final de semana, PERSÉPOLIS, a autobiografia gráfica da escritora e ilustradora franco-iraniana Marjane Satrapi. O livro foi publicado na França em 2000 e, tamanho foi o seu sucesso, ganhou uma versão cinematográfica que concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2007 e à Palma de Ouro no Festival de Cannes.
A história me pegou de tal jeito que rapidamente devorei o livro publicado inicialmente em quatro volumes. Mesmo sendo uma história em quadrinhos trata-se de um “tijolinho” com 352 páginas.
Terminei a leitura de Persépolis um dia antes de voltar para casa. Isso para mim é um problema, porque não sei ficar sem ter o que ler. Por sorte, a minha amiga havia separado uns livros para doar. Em um deles, estava escrito na primeira página, e com duas caligrafias diferentes, a exclamação: Ótimo!
Se eu entrasse em uma livraria A carta secreta da escritora inglesa Lucinda Riley jamais seria a minha primeira ou segunda opção de compra, nunquinha. Mas como diz o ditado, “a cavalo dado não se olha os dentes”. Para minha surpresa vi-me enredada numa história mirabolante que não conseguia largar.
De volta à casa olhava para a pilha de livros que me esperavam e, com um misto de vergonha e prazer, continuava envolvida nas buscas frenéticas por uma carta cujo conteúdo, se fosse revelado, implodiria com a monarquia britânica.
Ao acabar o livro quis conhecer a autora Lucinda Riley. Fiquei triste ao saber que ela morreu há quase três anos, com 55 anos, vítima de um câncer. Lembrei de ano passado ter percebido, por alto, uma comoção nas redes sociais por conta do lançamento póstumo, aqui no Brasil, do seu último livro da série As sete irmãs.
Enquanto viva Lucinda Riley vendeu mais de 40 milhões de livros, sendo que 90% para países estrangeiros, algo excepcional para uma autora britânica. No entanto, após ter uma “provinha” compreendi o porquê de tanto sucesso. Seus livros podem não ser considerados alta literatura, mas as histórias são muito bem contadas e viciantes.