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Do capeta à santa

Ao reler as postagens que fiz até hoje, surpreendi-me por não encontrar nenhuma menção à escritora Rosa Amanda Strausz.

Eu a conheci quando, antes da pandemia, trabalhei, como voluntária, na sala de leitura de uma escola municipal. A pedido dos alunos, procurei livros que contassem histórias de terror. Encontrei um que fez o maior sucesso: Sete ossos e uma maldição, da autora acima mencionada.

Eu lia os contos, “Crianças à venda. Tratar aqui”, “Dentes tão brancos”, “O fruto proibido” e outros mais, sem saber que a sua leitura não era recomendada para crianças menores de 10 anos. Às vezes, tentava ler outras histórias, mostrar-lhes outros assuntos, mas sem muito sucesso. O que os meus pequenos ouvintes queriam era sentir medo, e, admito, que eu ficava também.

Por essa razão, interessei-me, quando encontrei num sebo, o livro Teresa – a santa apaixonada, escrito pela mesmíssima escritora dos contos de terror. Os temas não poderiam ser mais díspares.

Aproveitando o feriado chuvoso, mergulhei na vida de Teresa D’Ávila ou Santa Teresa de Jesus, nascida no século XVI. Foi uma leitura ágil e interessante.

O período histórico é bem-apresentado, e fiquei imaginando o quanto essa mulher chocou a sociedade espanhola, e o quão perto esteve de ser condenada à fogueira pela Inquisição.

Surpreendi-me ao saber que, naquela época, não era permitido às mulheres “falar” diretamente com Deus. Elas deveriam se ater a recitar as preces encontradas no Ofício das Leituras ou meditar sobre temas religiosos pré-determinados pela Igreja. Qualquer outra coisa era considerada obra do capeta.

Entretanto, o temperamento inquieto de Teresa levou-a a conhecer oração mental ou contemplativa. Através dessa oração procura-se silenciar os pensamentos e, assim, entrar em comunhão profunda com Deus . Essa maneira de rezar, direta e pessoal, levou-a, por diversas vezes, a êxtases místicos apaixonados.

O livro de Rosa Amanda Strauz é uma bonita e respeitosa introdução para quem se interessar em conhecer a vida e o pensamento dessa mulher extraordinária que foi canonizada em 1622, e proclamada a primeira Doutora da Igreja Católica em 1970.

Por mais diferentes que sejam, gostei muito das duas leituras.

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